Kerley Regina Ferreira de Arruda Alcântra, promovida por merecimento no dia 29 de janeiro para a 1ª Vara Criminal de 2ª Entrância, da comarca de Jaru é magistrada no Estado de Rondônia há quatro anos. A juíza concedeu entrevista à Associação dos Magistrados do Estado de Rondônia - Ameron em que fala sobre sua experiência de trabalho durante os últimos dois anos, quando atuou na Vara Única de 1ª Entrância da Comarca de Nova Brasilândia D´Oeste (RO).

Ameron – Qual a função/importância de um juiz na sociedade?
Kerley –
A magistratura é uma das funções mais importantes do Estado. Podendo, inclusive, tornar-se uma referência de comportamento, principalmente em comarcas menores como Nova Brasilândia. O juiz deve sempre se pautar de forma ética e transparente, para que esse modelo seja copiado por toda a sociedade.

Ameron - Dificuldades de um magistrado que atua no interior?
Kerley
– Quando se atua em cidades grandes, você tem outro colega próximo de você, o que proporciona a troca de experiências, que é um fator importante na busca de uma atuação mais célere e justa de cada profissional. Em uma cidade do interior as estruturas de presídio, centros de internação de menores, por exemplo, são na maioria das vezes precárias ou inexistentes, e temos que lidar com essas ineficiências, buscando solucionar conflitos como se essas estruturas existissem. Porém, em uma comarca do interior vivenciamos muitas situações que nos coloca muito mais experientes e nos traz oportunidades de reconhecer que sempre é possível fazer o melhor e aprender. 

Ameron – Em qual contexto a senhora exerceu suas atividades judicantes em Nova Brasilândia?
Kerley –
Há dois anos atrás quando eu cheguei em Nova Brasilândia encontrei várias deficiências. A Comarca não contava com Centro de Ressocialização para os adolescentes internos. A Polícia Civil estava totalmente desaparelhada, e ainda, tendo que cuidar dos presos, atribuição que não lhes era cabível, diante da inexistência da Superintendência de Assuntos Penitenciários.
 Essas deficiências estruturais foram supridas e atualmente o próximo colega que responderá pela Comarca terá Presídio separado da Delegacia de Polícia. Um Centro de Ressocialização, que é uma grande vitória para Nova Brasilândia, uma cidade fundada em 1989 e com população de aproximadamente 15.178 habitantes, sendo que, atualmente em Jaru, a quarta maior arrecadação do Estado, cidade um pouco mais antiga, fundada em 1981 e com população de 47.126 habitantes, este Centro ainda não existe.
 Além do mais, tínhamos um grande número de furto de motocicletas que eram trocadas por droga em Costa Marques e com a destinação de verbas do Jecrim – Juizado Especial Criminal possibilitamos a implementação das duas polícias (Cível e Militar) que diminuiu significativamente as ocorrências e trouxe à população o sentimento de segurança que há muito eles não sentiam.
 Atualmente, uma das grandes preocupações do Poder Judiciário e do Ministério Público em Nova Brasilândia está nas relações afetas a improbidade administrativa que, a meu ver, deve ser vista com bastante rigor pelo novo colega que me substituirá.

Ameron –  Algum caso lhe chamou a atenção em especial?
Kerley –
Não um caso especificamente. Mas uma coincidência fez com que o trabalho de Nova Brasilândia fosse desenvolvido de maneira coesa, visto que, no mesmo dia chegaram à cidade uma nova juíza, um delegado recém empossado na carreira e a doutora Flávia Mazzine, promotora de Justiça. Essa coincidência fez com que, embora com a troca de promotores, durante esses dois anos existisse uma harmonia que fez com que o sentimento de segurança que comentei momentos atrás viesse a ser realidade naquela Comarca, o que também culminou no término de uma quadrilha de roubos de motos e de tráficos de entorpecentes que durante décadas era temida naquela região.  

Ameron – Objetivos como magistrada?
Kerley –
Buscar sempre me aprimorar, porque ser magistrada em Rondônia tem uma importância especial pelo nível de colegas com que convivo. A valorização do ser humano magistrado pelo próprio Tribunal nos impulsiona a querer melhorar dia após dia. Estou numa Vara Criminal em Jaru e já sonho com uma Colônia Penal e um estabelecimento próprio para cumprimento de semi-aberto com oficinas de trabalhos para uma efetiva ressocialização dos apenados. É um sonho, mas aos poucos espero que se realize.

 

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