Juízes explicam funcionamento do Judiciário na periferia de Porto Alegre
O Projeto Ajuris-Comunidade proporcionou o contato direto entre juízes e cerca de cem moradores da Restinga, o mais populoso bairro de Porto Alegre, nesta quinta-feira (15/09).
O presidente da Ajuris (Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul, desembargador Carlos Rafael dos Santos Júnior, a coordenadora do
projeto, juíza aposentada Analucia Paiva, e a representante da Secretária da Educação do Estado no programa Justiça para o Século 21, Nelnie Lorenzoni, falaram sobre o funcionamento do Judiciário, sobre direitos e deveres e também responderam a perguntas das pessoas presentes no Centro Social Padre Pedro Leonardi, na Estrada Chácara do Banco, 71.
A Ajuris distribuiu exemplares do guia Justiça & Cidadania, que a entidade co-patrocinou e foi editado pelo jornal Zero Hora em agosto do ano passado. O caderno, de 20 páginas, mostra como acessar a Justiça e como acompanhar as ações judiciais.
Falando de forma didática, Carlos Rafael explicou como se dá a atuação dos juízes, promotores e policiais em um processo. Esclareceu por que às vezes os juízes têm de soltar pessoas que são presas. "Muitas vezes, as prisões não estão de acordo com a lei. Na dúvida, se dá a liberdade".
A professora Nelnie falou sobre a importância de a comunidade tentar resolver seus problemas ao invés de transferi-los para outras
instâncias, como conselho tutelar e Judiciário. Assim, uma família com uma filha problemática, por exemplo, tem de se esforçar ao máximo para mantê-la e melhorá-la e não pensar em encaminhá-la para uma instituição de menores.
Uma das principais preocupações das mães da Restinga relaciona-se à sexualidade das filhas. Segundo o conselheiro tutelar João Almeida, há na comunidade local 43 adolescentes grávidas na faixa de 11 e 12 anos de idade.
A moradora Olinda Terezinha de Souza, de 59 anos, protestou contra o fato de crianças abandonadas pelas famílias dormirem nas ruas do Centro da cidade em pleno inverno. "A prefeitura não vê isso?"
O padre da Paróquia Nossa Senhora Aparecida da Restinga, Claudionir Ceron, e a coordenadora do centro social, Silvana Vernes, disseram que a atividade foi produtiva e contribuiu para a evolução da comunidade local, composta por muitos desempregados.
Ainda em setembro, conforme a juíza Analucia, cerca de 80 crianças da Restinga serão levadas à sede campestre da Ajuris, na zona sul de Porto Alegre, para palestra e atividades de recreação, como parte do mesmo programa.




