Webinário reuniu representantes dos três Poderes e da sociedade civil

 

O fomento da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) pelo debate e pelo enfrentamento à violência doméstica tem tornado constante a presença da entidade em eventos sobre a temática. Nesta quarta-feira (18/08), a presidente Renata Gil e a vice-presidente de Assuntos Legislativos da AMB, Elayne Cantuária, participaram do "Webinário - Educar para Combater o Feminicídio" promovido pela Assembleia Legislativa do Amapá, como parte das atividades do “Agosto Lilás”, movimento de conscientização pelo fim da violência contra a mulher.

No encontro, Renata Gil foi enfática ao afirmar que a violência contra a mulher exige, urgente, uma estratégia nacional específica para o problema. "Nós não temos dados oficiais, não temos um mapeamento sobre a violência doméstica no Brasil. Precisamos de estratégias, de prazos e de investimentos para dotar as entidades competentes de uma estrutura necessária e eficiente para esta luta", alertou.

Juíza no Amapá, a vice-presidente de Assuntos Legislativos da AMB, Elayne Cantuária, ressaltou que atua em Vara de Família, e que a violência doméstica faz parte da rotina de trabalho, diante da proporção da problemática.

"Um conflito não bem resolvido ele aciona uma gama de outros conflitos dentro da própria Justiça brasileira. As ações não ficam só nas Varas de Violência Doméstica, repercutem nas Varas de Família com pensões, com divórcios - muitas vezes extremamente complicados, com a alienação parental que é também uma crueldade com os filhos, por conta dessa violência, que hoje, a psicológica já entrou também nessa gama protetiva, na Vara da Infância e outros. A Justiça precisa estar unida e precisa estar neste trabalho colaborativo e em rede", concluiu.

Procuradora Especial da Mulher na Assembleia Legislativa do Amapá, a deputada Edna Auzier (PSD), falou sobre a participação das escolas. "Falar sobre o feminicídio, suas causas e como evitá-lo é fundamental para promover uma Educação de respeito às mulheres e que diminua os crimes de gênero. Abordar a igualdade de gênero e de respeito à mulher são medidas que começam ainda na escola".

Presidente da Frente Parlamentar contra o Feminicídio do Legislativo amapaense, a deputada Cristina Almeida completou que "somente através da Educação, com informação, com debates, e levando os debates para a extensão do lar, para as escolas, é que nós vamos conseguir unir as forças para educar a sociedade e fazer entender sobre os direitos das mulheres".

Durante o webinário, houve ainda relatos de familiares de vítimas de feminicídio. Foi um momento em que tiveram voz parlamentares estaduais e federais, representantes de outros Poderes e de movimentos da sociedade civil.

"Inauguramos um novo tempo em que instituições e sociedade civil estão unidos com um único propósito mais do que humanitário. É um propósito constitucional, de responsabilidade social, de solidariedade humana", finalizou Renata Gil.


Daiane Garcez (Ascom)

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