Renata Gil discute política das mulheres na UFRGS

"As nossas instituições, em geral, ainda tem uma concepção absolutamente patriarcal", disse
A presidente da AMB, Renata Gil, participou, nesta quinta-feira (7), do painel online “Política das mulheres: ambiente político, desafios e soluções”. O debate foi organizado pela faculdade de direito da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Durante a participação, Renata Gil compartilhou as experiências adquiridas por ela como integrante do grupo de trabalho do CNJ que instituiu a Política Nacional de Incentivo à Participação Institucional Feminina no Poder Judiciário. A presidente da AMB destacou o estudo da Associação chamado “Quem somos a magistratura que queremos”, que constatou que cerca de 36% dos magistrados são mulheres e em torno de 16% das magistradas ascendem na carreira.
“As nossas instituições, em geral, são o puro reflexo da nossa sociedade, que ainda tem uma concepção absolutamente patriarcal. São inúmeros desafios internos, mas nós buscamos hoje de forma técnica e com muita coragem suprir e suprimir essas barreiras por meio de incentivos, como a participação paritária em bancas de concurso, além do julgamento com perspectiva de gênero, por exemplo”, ressaltou.
Renata Gil também falou sobre sua trajetória como juíza e como a primeira mulher a presidir a AMB. A magistrada também registrou que a participação feminina no parlamento ainda é muito pequena.
“Apesar da baixa representatividade, a bancada feminina na Câmara Federal tem feito uma verdadeira revolução nessa participação, aumentando esse espaço por meio da destinação de fundo partidário e agora lutando para que haja número mínimo de ocupação das cadeiras femininas. E recentemente, a bancada ajudou a aprovar uma lei de âmbito nacional que engrandece muito o movimento feminino, que combate a violência política e que vai incentivar que outras mulheres cheguem ao Parlamento, que ainda é um local muito fechado para a participação feminina”, pontuou.
A presidente da AMB também aproveitou o momento para destacar os esforços da Associação na ação humanitária para conceder refúgio às mais de 200 juízas afegãs que estão em risco de morte após a tomada do Afeganistão pelos Talibãs. “A AMB caminha para se tornar um exemplo se a operação for concretizada e temos certeza que isso vai acontecer”, frisou.
Durante o painel, foram discutidas questões sensíveis ao gênero feminino na política - considerada em sentido amplo. As participantes também sugeriram alternativas para os avanços femininos neste setor.
A desembargadora Marga Inge Barth Tessler, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, também relatou as próprias dificuldades e preconceitos que sofreu na magistratura por ser mulher e ressaltou a importância da luta por uma maior representatividade feminina nos três poderes. “A paridade deve se impor a qualquer momento. É uma batalha em que temos que impulsionar essa ideia de igualdade de cadeiras, com um olhar mais feminino. Não podemos estar alheias e inconscientes da nossa posição no mundo”, enfatizou.
Também participaram do debate a diretora de Políticas para as Mulheres do Estado do Rio Grande do Sul, Bianca Feijó; e a vereadora do município de Porto Alegre Mônica Leal. A mediação foi realizada pelas professoras Luciane Cardoso Barzotto e Maria Cláudia Mércio Cachapuz e pela estudante Leticia Heinzmann, todas da UFRGS.
Carlos Ribeiro (Ascom)




