"A corrupção não é apenas crime, mas também degrada as condições humanas", afirma Renata Gil

Nesta quarta-feira (01), a presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Renata Gil, participou como moderadora do painel “Combate contra a Corrupção, Democracia e Estado de Direito”, no 3º Congresso de PLD-FT | Internacional. Apresentaram ideais e informações, no painel 13, o Desembargador Federal no Tribunal Regional Federal da 3ª Região Fausto Martin De Sanctis e o ex-Ministro da Justiça e Segurança Pública e ex-Juiz Federal Sérgio Moro.

Durante o evento, os convidados falaram, entre outros assuntos, sobre o papel do COAF na prevenção à lavagem de dinheiro, importância de o Brasil ter legislação contra crimes de colarinho branco que gerem confiança internacional, jurisdição extraterritorial, atuação das empresas no combate à corrupção e avanço do Talibã no Afeganistão.

Como moderadora do painel, a presidente da AMB destacou que a corrupção não é apenas crime, mas também degrada as condições humanas. Ela aproveitou o exemplo do avanço do Talibã, citado pelos palestrantes, para ressaltar que o Afeganistão é um dos países mais corruptos e pobres do mundo. Renata Gil lembrou ainda a situação das juízas afegãs.

“Muito antes da tomada de Cabul pelos Talibãs, as juízas do Afeganistão já sofriam ameaças por terem condenado integrantes de grupos terroristas. O que a AMB busca agora é a emissão dos vistos humanitários para essas magistradas. O Brasil sempre foi nação solidária, que recebe muitos imigrantes. Na minha posição de presidente da maior associação de magistrados do país, resolvi atuar de forma firme e estou sendo bem recebida pelas autoridades brasileiras”, ressaltou.

Outro assunto mencionado durante o painel Combate contra a Corrupção, Democracia e Estado de Direito foi o problema das Fake News, inclusive na magistratura. Para a presidente da AMB, pessoas mal-intencionadas preferem atacar a reputação de magistrados, ao invés de recorrer ao texto constitucional para contestar decisões judiciais.

“Temos que caminhar rumo a uma democracia que trabalhe mais pelos valores consolidados pelos costumes. A nossa Constituição Federal traz soluções para os problemas, mas a sociedade não tem usado esses remédios, preferindo outros mecanismos. Há um trabalho forte da AMB de interpelação de quem cria notícias falsas, de forma consensual ou por meio de ações judiciais. Precisamos proteger mais nossos julgadores. Ainda nos debruçamos pouco sobre soluções para isso”, destacou.

Durante o dia, também houve debates, no Congresso, sobre o papel dos organismos internacionais no combate ao crime financeiro; os impactos macroeconômicos de uma boa política de PLD-FT; o combate à lavagem de dinheiro e o enfrentamento do crime organizado; e sobre macroanálise dos 23 anos da Lei 9.613/98.

3º Congresso de PLD-FT | Internacional

Apoiado pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), o 3º Congresso de PLD-FT | Internacional, que acontece desde junho de 2021, é um espaço de fomento e disseminação de conhecimentos entre especialistas e profissionais de prevenção e repressão à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo. Organizado pelo Instituto de Prevenção e Combate à Lavagem de Dinheiro e ao Financiamento do Terrorismo (IPLD), o evento se tornou referência no tema e agora ampliou seu escopo para receber congressistas de todas as partes do mundo digitalmente. É a oportunidade para fazer networking, trocar experiências e aprofundar os conhecimentos sobre as melhores práticas de PLD-FT com grandes nomes da área no Brasil e exterior. Os próximos eventos ocorrerão nos dias 2 e 3 de setembro, último dia do Congresso.


Carlos Ribeiro (Ascom)

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