“Coração das trevas” trata da maldade humana ”, avaliou Mário Alves Coutinho, ensaísta e palestrante do 16º encontro

Não é fácil ler um livro de Joseph Conrad. A forma indireta de contar a história, pelo olhar de diversos personagens, transforma a narrativa em um caleidoscópio: ambíguo e ambivalente. Além dessas características, a obra “Coração das trevas” detalha com minúcias os crimes cometidos contra a população do Congo, na África, durante a colonização belga. “É um livro a respeito da maldade humana e sobre como chegamos até aqui onde estamos”, avaliou Mário Alves Coutinho, escritor, tradutor, ensaísta e palestrante do 16º encontro do Clube de Leitura da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB).

A obra conta a história do capitão Charles Marlow, enviado em missão para encontrar Kurtz, um caçador de marfim da companhia que estava sem contato há algum tempo e, por isso, considerado desaparecido. “Kurtz é um anti-herói. Ele queria ser um altruísta, e tinha o anseio de civilizar o Congo. Acreditava que pelo simples exercício da nossa vontade era possível praticar o bem. No entanto, lá no final do livro, já estava gritando: ‘exterminem todos os grupos”, contou Coutinho. “Isso mostra a ambiguidade do personagem”, completou.

O especialista destaca que desde o começo a história, Conrad, o autor, fala sobre a “escuridão”, mas como uma metáfora para a violência e a selvageria. “Não é que os selvagens poderiam ser humanos, mas que qualquer humano poderia se tornar um selvagem”, explicou.

IMPACTO

“É impressionante como a literatura é capaz de nos colocar no lugar do outro. Essa é a grande magia. E esse livro derruba as defesas e nos faz mergulhar em tudo de atroz que aconteceu durante a escravidão, fazendo com que a nossa própria humanidade apareça”, avaliou o advogado, escritor e professor da Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados (Enfam), Plauto Cardoso, durante encontro com mais de dez magistrados.

PRÓXIMO LIVRO

Plauto Cardoso, inclusive, vai ser o palestrante do próximo debate marcado para 26 de outubro, às 18h30. O escritor Oscar Wilde foi o escolhido, com a obra “O retrato de Dorian Gray”. O mediador será o magistrado do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJ/PB), Kéops Vasconcelos.

 

Paula Andrade (Ascom/AMB)

 

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