“É uma das obras mais sensíveis que já li”, contou a palestrante Fabiana Tavares

Dor, solidão, necessidade de ser amado. De que forma sentimentos como de inadequação e rejeição podem transformar a infância e a vida futura de uma criança órfã e pobre. Este é o enredo do livro “A vida pela frente”. Foi a forma como o escritor russo Romain Gary, usando o pseudônimo de Émile Ajar, encontrou para expressar a potência das suas próprias emoções e vivências. A análise foi feita pela professora e doutora em literatura, Fabiana Tavares, no último encontro do Clube do Livro da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), ocorrido dia 31 de agosto.

“O autor colocou nessa história tudo que ele vivenciou ao longo de sua existência. Para mostrar a força desse sentimento de abandono, ele escolheu falar sobre o tema sob o olhar de uma criança. Foi desse abandono que nasceu a força, e é dela que vem a resiliência para enfrentar a vida”, comentou Tavares durante o bate-papo com os 24 magistrados participantes. “Esse é um dos livros mais sensíveis que já li. É um poço sem fim de temas a serem explorados”, comentou a especialista.

Por se tratar de uma obra que fala a respeito da pobreza, do subúrbio, e sobre uma criança desestruturada, criada por uma prostituta em um lugar marginalizado no centro de Paris, por algum tempo o livro foi rechaçado pelo mercado literário. “Ele não é considerado da linha dos clássicos, que fala sobre valores universais. É um típico romance de formação, no qual acompanhamos o crescimento do protagonista durante a sua infância”, comentou Fabiana Tavares.

A professora ressaltou ainda a grandiosidade do autor, por ser capaz de escrever em diversos idiomas, no caso o francês e o inglês. “Escrever em outras línguas tem dois grandes desafios: dominar a linguagem, claro, e conhecer a cultura do leitor. Nesse exemplo específico, havia um outro desafio ainda maior, que era escrever sob o olhar de uma criança com uma personalidade em construção, além de colocar temas como violência, preconceito, identidade, construção coletiva e tudo mais”, avaliou.

“Foi um livro muito emocionante para mim”, contou o desembargador Jorge Frias, da Associação dos Magistrados do Mato Grosso do Sul (Amamsul ), durante o encontro.

LITERATURA BRITÂNICA

A literatura britânica será o tema do próximo encontro do Clube de Leitura da AMB, dia 28 de setembro. O livro escolhido foi “Coração das Trevas”, um romance escrito por Joseph Conrad. Obra publicada em forma de livro em 1902 e é um dos clássicos ingleses. O livro traz como temática a colonização na África sob o olhar de um marinheiro.

Paula Andrade (Ascom/AMB)

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