O legado dos aposentados para a independência e as prerrogativas da magistratura

O Dia Nacional do Aposentado, 24 de janeiro, transcende as páginas do calendário com um convite à reflexão profunda sobre o legado de quem já passou toda uma carreira contribuindo com a sociedade. Mais do que uma mera celebração de conquistas individuais, este dia ressoa como um tributo aos préstimos ao coletivo.
Posso falar sob a perspectiva da magistratura, carreira que abracei e na qual tive a oportunidade de aprender com diversos colegas que, hoje, já não estão no exercício. A aposentadoria, para muitas Juízas e Juízes, é uma encruzilhada onde o passado encontra o presente. E as perspectivas do futuro se desdobram diante dos olhos. É um período para construir novos sonhos, acalentar outros ideais e, acima de tudo, registrar a certeza do dever cumprido e a inegável contribuição para o engrandecimento do país.
A luta pela manutenção e fortalecimento da independência judicial e pelas prerrogativas da profissão é permanente. É preciso reconhecer, no entanto, as conquistas das Magistradas e Magistrados que, no passado, trouxeram à profissão diversas proteções necessárias ao cumprimento de nossa missão constitucional.
Com relação ao jurisdicionado, o que temos é um Judiciário que se habituou, ao longo das últimas décadas, a ser um dos mais produtivos do mundo, um dos mais demandados e que mais julgam processos. Esse também é um legado de quem atuou, com dedicação e comprometimento, no dia a dia do brasileiro, para dar vazão à necessidade das cidadãs e cidadãos por Justiça.
É preciso, no entanto, que o reconhecimento às aposentadas e aposentados vá além de palavras e cerimônias formais. Necessitamos de uma revolução cultural, abandonando a indiferença e valorizando a experiência e sabedoria construídas ao longo de uma vida.
A Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), maior entidade de classe da magistratura, reconhece o dever coletivo de promover uma cultura que respeite e celebre o legado de quem construiu nossa carreira em tempos mais difíceis. Somente através desse reconhecimento poderemos fortalecer a magistratura para prestar sempre e cada vez mais, um serviço de excelência ao cidadão.
Em um mundo em constante evolução, os aposentados são faróis de sabedoria, iluminando o caminho para as gerações vindouras. Cabe a cada um de nós, como membros da magistratura em uma sociedade em constante transformação, abraçar a riqueza de experiência e construir um legado que também honre e perpetue a jornada extraordinária dos aposentados. Ao fazê-lo, não apenas celebramos o Dia Nacional do Aposentado, mas também investimos no tecido vital de nosso múnus, assegurando a renovação e o fortalecimento das garantias e prerrogativas da magistratura.
Um forte abraço.
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Frederico Mendes Júnior, Presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB)

