O Crime de Padre Amaro foi debatido no 2º encontro do Clube de Leitura

Próxima reunião está prevista para 28 de julho. Triste Fim de Policarpo Quaresma será o clássico em análise
A Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) realizou o segundo encontro do Clube de Leitura, nesta quarta (30). “O crime do Padre Amado” do autor Eça de Queirós foi o livro escolhido para esta edição. A professora de literatura portuguesa da Universidade de Évora – Portugal, Ana Luísa Vilela, foi a debatedora convidada da noite, que contextualizou e fez análise crítica da obra. O evento foi mediado pelo ex-presidente da AMB Jayme de Oliveira e reuniu associados à AMB de todo o Brasil.
“O Crime do Padre Amaro” foi um grande marco do Realismo em Portugal, publicado originalmente em 1875. Considerada a obra mais polêmica de Eça de Queirós, alvo de críticas da Igreja Católica de Portugal. Sob um ponto de vista sem paixão para narrar a história da Amélia, seduzida pelo Amaro, que entra para o convento em razão à imposição de uma beata. Apesar de não ter vocação, o padre aceita o seu destino passivamente, mostrando absoluto desinteresse pelo ofício que abraça sem entusiasmo, e termina pecando contra a castidade, traindo os votos proferidos na sua ordenação.
Amélia atraída pelo padre, pura paixão carnal que a desorienta e destrói, nasce da falta de referências morais e do desconhecimento completo do que seja amor. Em “O crime do Padre Amaro”, os burgueses, os aristocratas, os políticos e os sacerdotes são os vários componentes de um sistema social decadente e perverso.
O autor Eça de Queirós conduziu a obra com irreverência e sarcasmo na tentativa de resgatar valores que uma sociedade em declínio havia perdido.
“O crime do Padre Amaro” foi o primeiro romance naturalista escrito em língua portuguesa. Para exposição da análise da obra, a professora Ana Luisa Vilela destacou os lugares de Leiria, cidade de Portugal, na província da Beira Litoral, em razão da região ser pano de fundo da trama e cidade onde o autor morou.
No início do evento, a professora fez uma revisão biográfica dos primeiros 30 anos do jovem José Maria Eça de Queirós. Nascido em 25 de novembro de 1845, na Póvoa Varzim, cidade localizada no norte de Portugal.
Filho de brasileiro e de uma portuguesa, ele passou grande parte de sua infância na cidade de Aveiro aos cuidados de sua avó. Mais tarde, foi morar no Porto a fim de estudar no Colégio Interno. Eça de Queirós seguiu os passos de seu pai e foi estudar Direito na Universidade de Coimbra. Exerceu a profissão de advogado e de jornalista na cidade de Lisboa.
Eça de Queirós também entrou para a carreira política sendo nomeado administrador do Concelho de Leiria (1870). Em 1886, casou-se com Emília de Castro Pamplona Resende com quem teve quatro filhos: Alberto, Antônio, Maria e José Maria. Faleceu dia 16 de agosto de 1900 em Paris, aos 59 anos de idade.
Durante apresentação, a professora Ana Luísa Vilela destacou o protagonismo do personagem Amaro Vieira, o seu contexto cultural e romance sobre o poder avassalador do desejo.
“O universo do padre Amaro é regulado pela liturgia e pelo Eros. Ele está numa relação entre o sagrado e o erotismo, que intensifica o tabu sobre o sexo. O personagem naturalista, figura preconcebida e explicada, sujeita a moldes e conclusões pressupostas: os ativismos genéticos e temperamentais, a modelação pela educação e pelo meio”, avaliou a debatedora.
Para saber mais sobre esta edição, confira a videoconferência do Clube de Leitura que estará em breve disponível no canal da Associação dos Magistrados Brasileiros no YoTube.
O próximo evento será no dia 28 de julho, que debaterá o livro de Lima Barreto - “Triste Fim de Policarpo Quaresma”.
Participaram do encontro representantes da Diretoria Cultural da AMB como o vice-presidente Thiago Brandão de Almeida e do secretário cultural Kéops de Vasconcelos Amaral Vieira Pires, representantes de associações filiadas e membros do Clube de Leitura da AMB.
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Jonathas Nacaratte (Ascom)




