Nós por Elas: Renata Gil conversa com Sônia Bridi sobre resgate das juízas afegãs

Live foi transmitida na página do programa Fantástico, no Instagram, nesta quarta-feira (01)
A presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Renata Gil, contou detalhes sobre o resgate das juízas afegãs para a repórter da TV Globo Sônia Bridi. A conversa foi realizada, na última quarta-feira (01), em live transmitida na página do programa Fantástico no Instagram.
No dia 28 de novembro (domingo), foi veiculada a reportagem da jornalista para o programa Fantástico sobre a operação de resgate às juízas afegãs e familiares, promovida pela AMB. A reportagem especial relata o drama vivido pelas magistradas que condenaram membros do Talibã.
No início da live no Instagram, Sônia Bridi elogiou a atuação da presidente da AMB ao acolher as magistradas afegãs.
“Renata Gil foi quem liderou a participação brasileira desse programa de resgate que deu muito orgulho para a gente ver o quanto o Brasil atuou fortemente para trazer sete dessas juízas para cá, enquanto países que têm tradição de democracia e de abertura fecharam as portas”, destacou.
Durante a conversa, foram abordados detalhes e bastidores do processo de acolhimento e resgate das juízas vindas do Afeganistão. Segundo Renata Gil, o Brasil deu exemplo de solidariedade.
“Nosso país entregou acolhimento que essas juízas não teriam em outros lugares. Elas me relataram que não tiveram em outros países o mesmo calor humano e receptividade que tiveram aqui. Em alguns casos tiveram necessidades de alimentação”, contou
A jornalista da TV Globo mencionou na live a importância do sigilo na operação e os riscos para familiares das juízas que ainda estão no Afeganistão. Ela também abordou o machismo predominante no Afeganistão, principalmente após a retomada do país pelo Talibã, que oprime as mulheres e as coloca como moeda de troca para conquista de poder. A presidente da AMB também falou da problemática cultural na região.
“O mundo não se deu conta de que isso não é só salvamento de juízas oprimidas e com risco de morte. No oriente como um todo, vemos um retrocesso civilizatório. É uma localidade com predominância de pensamentos totalitários, que não respeitam as mulheres. Há uma cultura patriarcal muito grave, que tem sido potencializada por um grupo de terroristas”, ressaltou.
Na conversa com Sônia Bridi, Renata Gil também enfatizou a Campanha Nós por Ela a fim de arrecadar recursos financeiros para o programa humanitário. A presidente da AMB destacou ainda que as magistradas vindas do Afeganistão podem contribuir muito com as experiências e conhecimentos delas sobre julgamentos de grupos terroristas e sobre o Sistema de Justiça afegão, por exemplo.
“Com essa operação, o Brasil envia um sinal claro para o resto do mundo: abram suas portas, porque podemos salvar vidas, como já estamos fazendo por aqui”, alertou.
Caros Ribeiro (Ascom)




