Nós por Elas: “O Brasil precisa de políticas públicas de refúgio completas”, diz Renata Gil em Seminário da Unicamp

A presidente da AMB falou sobre o plano de resgate das juízas afegãs durante Fórum que discutiu perspectivas para a condição de refúgio acadêmico no Brasil
O programa “Nós por Elas” - um grande movimento capitaneado pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) para resgatar juízas afegãs ameaçadas pelo regime Talibã em Cabul -, foi reconhecido durante o Fórum Permanente da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o qual discutiu as perspectivas para a condição de refúgio acadêmico no Brasil.
Nesta quarta-feira (14), a presidente da AMB, Renata Gil, falou sobre o intenso trabalho realizado pela associação para que as juízas fossem resgatadas de um regime em que corriam sério risco de morte. A magistrada lembrou de quando assistiu à tomada da capital do Afeganistão pelo grupo terrorista e se colocou no lugar daquelas mulheres: viviam em um regime democrático, julgaram terroristas e agora nem mesmo podiam sair às ruas.
Renata Gil afirmou que hoje, o “Nós por Elas” é reconhecido como uma política pública completa, que se preocupou desde o resgate, até a inclusão dos refugiados na sociedade brasileira, mesmo com as diferenças culturais. “Ainda que não tivéssemos todos os recursos, atuamos de forma propositiva e humana. O que o Brasil precisa é de uma política pública de refúgio completa, amarrada do início ao fim. Esse projeto é avaliado como algo que deu certo e queremos que outras instituições atuem da mesma forma que a magistratura trabalhou”, disse.
Atuação intensa com os Poderes da República
A presidente da AMB destacou todo o esforço realizado pela entidade, em parceria com o Itamaraty, a Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados e o Ministério da Justiça para que os vistos humanitários fossem emitidos em tempo recorde. “A AMB trabalhou com todas as instituições, emitindo ofícios que evidenciaram a qualidade da Lei de Migração do Brasil no reconhecimento de refugiados. Nós tínhamos pouco tempo para que essas mulheres pudessem chegar ao nosso país em segurança e com cidadania”, afirmou. “Eu tinha o sonho de trazer essas juízas e suas famílias para o Brasil e as pessoas me diziam: ‘Renata, eu não acredito que isso vai acontecer’. E aconteceu”.
Espaço das Afegãs
A magistrada também falou sobre o que aconteceu após o resgate e a necessidade de que os refugiados estejam internalizados no Brasil. Recentemente, foi inaugurado o “Espaço das Afegãs” - o Sustainable Humanitarian Empowerment (SHE) -, no escritório de advocacia M.J Alves e Burle, em Brasília-DF.
O local foi criado especialmente para que juízas afegãs possam trabalhar prestando consultoria e atendimento a estrangeiros que necessitam de ajuda. O ambiente foi decorado e adequado também às necessidades religiosas dessas mulheres. De acordo com Renata Gil, as magistradas afegãs atuam prestando apoio jurídico de imigração a todo e qualquer refugiado. “O que nós esperamos é que isso seja muito mais do que um emprego, mas um braço humanitário semelhante ao que elas receberam aqui no Brasil”, concluiu.
Laura Beal Bordin (Ascom AMB)




