“Não é possível pensar a magistratura em uma sociedade igualitária sem pensar as questões raciais e é isso o que vamos fazer durante todos os dias de evento”, disse diretora da AMB

Na última segunda-feira (25), iniciou o 5º Encontro Nacional de Juízas e Juízes Negros (Enajun) e o II Fórum Nacional de Juízas e Juízes contra o Racismo e todas as formas de Discriminação (FONAJURD). A diretora de Promoção da Igualdade Racial da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Flávia Martins de Carvalho, esteve na abertura dos eventos que buscam refletir e aprofundar o debate de temas como igualdade racial, segurança pública, questões ambientais, saúde mental e resistência.

"O ENAJUN e o FONAJURD representam o compromisso da magistratura com a luta antirracista e contra todas as formas de discriminação. Não é possível pensar a magistratura em uma sociedade igualitária sem pensar as questões raciais e é isso o que vamos fazer durante todos os dias de evento", destacou a magistrada.

O evento, por videoconferência, é uma iniciativa do ENAJUN/FONAJURD e, esse ano, contou com a organização da AJURIS, apoiada pela AMB e diversas outras associações, reunindo especialistas brasileiros e estrangeiros.

"É preciso que a questão racional seja discutida, refletida e que avancemos num país ainda tão desigual e com um passivo tão brutalizado no modo com as pessoas negras foram e são tratadas. Nós que integramos o Sistema de Justiça não podemos fechar os olhos para essa realidade. As conquistas se estabelecem a partir de diálogo, de reflexão, mas também a partir de luta", enfatizou o presidente da AJURIS, juiz Orlando Faccini Neto.

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Luiz Fux, disse que já passou da hora de mudar a realidade de discriminação racial no Brasil. "Infelizmente, a cor da pele ainda permanece como barreira de acesso da população negra aos espaços físicos, aos serviços básicos e, sobretudo, aos postos de destaque na sociedade, na política, na economia, na cultura nacional", acrescentou.

Uma das palestrantes internacionais foi a juíza Elizabeth Odio Benito, presidente da Corte Interamericana de Direitos Humanos, primeira mulher a ocupar o cargo da Corte desde sua criação em 1979. Ela é juíza do Tribunal Penal Internacional (2003-2012), onde também foi vice-presidente (2003 e 2006). A magistrada além de abordar o tema, apresentou aos participantes alguns casos julgados envolvendo prática de racismo, discriminação racional e envolvendo questões de gênero, em diversos países, a exemplo de Argentina e Colômbia.

O evento vai até esta quinta-feira. Todas as palestras estão disponíveis no canal da AJURIS no YouTube.

 

Programação:

28 de outubro
9h – FONAJURD
Painel A Força Transformadora na Resistência dos Grupos Vulnerabilizados: Semeando e Colhendo Esperança
Flávia Oliveira (jornalista da Globonews)
Winnie Bueno (doutoranda em Sociologia)
Cerimônia de encerramento


Daiane Garcez (Ascom)

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