Inaugurado o “Espaço das Afegãs” em Brasília

Presidente da AMB, Renata Gil, se emociona ao destacar que esse sonho só foi possível graças à união de muitos esforços
Na última segunda-feira (15) foi inaugurado o “Espaço das Afegãs” - o Sustainable Humanitarian Empowerment (SHE) -, no escritório de advocacia M.J Alves e Burle, em Brasília-DF. O local foi criado especialmente para que juízas afegãs possam trabalhar prestando consultoria e atendimento de estrangeiros que necessitam de ajuda. O ambiente foi decorado e adequado também às necessidades religiosas dessas mulheres, as quais foram resgatadas do Afeganistão por estarem correndo risco de morte.
“Esse sonho se tornou realidade em razão de uma grande conjunção de esforços do Governo brasileiro, que colocou a Casa Civil à disposição, o Legislativo e o Judiciário, além de outros parceiros incansáveis que auxiliaram na elaboração do plano de resgate das juízas. Conseguimos fazer tudo de forma sigilosa para garantir a segurança delas e de seus familiares. Para isso, a gente construiu uma política pública verdadeira, com todos os seus elementos”, ressaltou a presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Renata Gil.
Segundo o fundador do M.J Alves e Burle, Marcos Joaquim Gonçalves Alves, “a abertura do SHE representa sustentabilidade, trabalho humanitário, empoderamento de mulheres e refugiados dentro de um mundo global que precisa do amparo de todos nós, para que essas pessoas sejam acolhidas da forma correta no Brasil e em outros países. O trabalho do SHE será de advocacy, o qual levará todo o processo legislativo de ajuda humanitária que os refugiados merecem e nós temos o dever de dar a eles”, finalizou o advogado.
Também marcaram presença, a secretária-geral da AMB, Julianne Freire Marques, e a coordenadora executiva da Escola Nacional da Magistratura (ENM), Marcela Bocayuva.
Entenda a história das juízas afegãs
Ao longo da carreira no Afeganistão, sete magistradas afegãs condenaram centenas de homens integrantes do grupo Talibã por violência contra as mulheres, incluindo estupro, assassinato e tortura. Porém, após o grupo terrorista assumir o controle da cidade e milhares de criminosos condenados serem libertados da prisão, as juízas passaram a sofrer ameaças de morte. A notícia chegou ao conhecimento da presidente da AMB, que agiu rapidamente para trazê-las ao Brasil, já que seriam as primeiras atingidas pelos extremistas.
Com a chegada das juízas e de seus familiares em território brasileiro, em outubro do ano passado, a AMB lançou a campanha “Nós por Elas” para viabilizar a acolhida do grupo. Na ocasião, o Banco do Brasil disponibilizou uma chave Pix para receber doações que são destinadas a esses cidadãos afegãos na condição de refugiados no Brasil.
A entidade também criou o “Selo Humanitário da AMB” para estimular a participação de instituições e sociedade civil organizada com doações para o fundo do programa. O encontro reuniu várias autoridades que fizeram parte da operação de ajuda humanitária liderada pela AMB.
Walquene Sousa (Ascom AMB)




