“Pensar demais sem gerenciamento é uma bomba contra a saúde psíquica”. Essa foi uma das várias lições deixadas pelo doutor em psicanálise Augusto Cury no curso Gestão da Emoção, exclusivo para magistrados filiados à AMB e servidores indicados pelos tribunais de Justiça de todo o País, finalizado nesta sexta-feira (09), em Ribeirão Preto (SP).

Foram dois dias de imersão nos bastidores da mente humana, promovendo e desenvolvendo a inteligência emocional, a fim de que os participantes aprendessem a olhar, sobre múltiplos ângulos, e de maneira especial, o fenômeno social do suicídio, entre outras violências, para, assim, contribuir com a questão dos transtornos emocionais nos tribunais – a quarta causa de afastamento de magistrados e servidores da Justiça (11,1% dos casos), segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), apoiador do treinamento.

“Grande parte das pessoas de todas as nações não sabem sequer que tem um EU e muito menos que esse EU deve exercer o controle de qualidade dos seus pensamentos”, explicou Augusto Cury, autor da Teoria da Inteligência Multifocal. Ele aplicou, durante o curso, seu programa inédito de prevenção de transtornos emocionais e ao suicídio, chamado Você é Insubstituível.

“Sem dúvida nenhuma vai ser um marco na vida de cada juiz e juíza, que teve a oportunidade de participar desse grande evento”, disse o juiz Carlos José Limongi, presidente do Fórum Nacional da Justiça Juvenil (Fonajuv), um dos participantes. “Aqui nos foi mostrado ferramentas que transformam a nossa vida para melhor, e também a vida daqueles que cruzam nosso caminho. Eu saio daqui uma pessoa diferente, com mais vontade, não só em viver, mas, principalmente de trabalhar e de transformar o mundo.”

Os participantes, agora embaixadores do programa, serão multiplicadores dos ensinamentos adquiridos e, para isso, terão acompanhamento periódico. Além do treinamento, eles receberam material digital de apoio para desenvolver em grupos de discussão.

Para o conselheiro do CNJ Valtércio Ronaldo de Oliveira, que também participou do curso, as dinâmicas mexeram com algo que afeta não somente o magistrado, mas o ser humano, que é o aspecto emocional. “Vivemos uma crise mundial, em que as pessoas se preocupam apenas com o ter, com a beleza física, e esquece, muitas vezes, do essencial que é a convivência, o relacionamento e a ajuda mútua. Este evento vem despertar esse grupo. Para mim, tem sido uma experiência maravilhosa, sobretudo como gestor na presidência do Comitê de Saúde e Segurança de Magistrados e Servidores do Judiciário”.

O curso foi promovido pela AMB, em parceria com o Instituto Augusto Cury e com o apoio do CNJ. Confira abaixo outros depoimentos de participantes.

Depoimentos
“Foi um reconhecimento das nossas fragilidades emocionais, de tentar entender e superá-las, para que a gente não possa se abater ou desenvolver uma doença interior, em razão das agruras do dia a dia do trabalho, da sobrecarga de cobrança das atividades jurisdicionais. Esse é o foco e a grande importância que eu vejo, a gente superar tudo isso. Com certeza muito válido, eu acredito que todos os magistrados deveriam passar por essa experiência. Fazer este curso para se entender, se conhecer e ver alternativas de superação das dificuldades emocionais que passamos”, Silvio Cesar Maria, presidente da Amepa.

“A AMB está de parabéns por ter a sensibilidade em um momento tão delicado como o que a Magistratura vive, em que magistrados estão adoecendo. É um curso deveras importante e imprescindível para a Magistratura, que está muito estressada, sofrendo pressão muito grande da própria sociedade, da imprensa, com a quantidade absurda de casos novos que temos e a falta de estrutura que deve ser batida demais, uma bandeira do associativismo nacional. Um passo importantíssimo e não tenho dúvida que daqui para frente nós teremos diversos outros cursos como esse replicados Brasil afora, para que a gente possa verdadeiramente melhorar a qualidade de vida dos magistrados”, José Herval Sampaio, presidente da Amarn.

“O curso de gestão da emoção tem fez um impacto muito grande na minha vida hoje, por eu ter encontrado algumas respostas. É claro que nossa vida é estressante na Magistratura, conjugada com todos os nossos afazeres, de pai, esposo, filho, tudo ao mesmo tempo. Isso vai deixando a gente cada vez mais carregado. E essa perspectiva que o Augusto Cury traz sobre olhar para si, ser o protagonista da própria história, sobre ajudar o nosso eu a ser o piloto verdadeiro da nossa vida, ela já deixa marca profunda. E, especificamente no treinamento que passamos, o que me marcou muito foi perceber que cada um pode ser um pouco paciente e um pouco terapeuta. Perceber isso, é perceber que eu posso levar esse conceito lá para minha Comarca, reproduzir com meus amigos, familiares, enfim é uma ferramenta muito bacana. Muito obrigado”, Rafael Maia, juiz de Direito em Tucuruí (PA).

“Achei de suma importância porque, justamente, se trata de uma gestão de emoções. Espero que isso seja muito útil no meu trabalho junto às pensionistas, e todo o pessoal da AMB porque o que a gente quer é uma transformação, um crescimento, uma promoção da pessoa humana, mexendo com as emoções, evitando citações calóricas como o suicídio, a depressão. Foi muito importante esse enfoque dado pelo Doutor Augusto Cury, principalmente abrindo janelas para a gente do lado emocional, porque todo mundo tem um lado bom, esse lado emocional que a gente pode chegar para evitar grandes catástrofes”, Haydée Mariz, secretária de pensionistas da AMB.

“É um curso muito importante realmente, porque essa questão do trabalho é um divisor de águas, tanto que sofremos tanto em sala de audiência, no dia a dia, quanto da opinião pública de modo geral, e isso influência muito na nossa atuação, na nossa condição de vida e saúde mental. Precisamo fazer esse tipo de curso e olhar essas práticas de modo geral”, desembargador Amarildo Carlos de Lima, do TRT 12ª Região.

“Foi muito oportuno e valioso porque, afinal de contas, a pessoa ter o controle das emoções é importante para soluções racionais e lógicas. Ao passo que com esses ensinamentos, as lições, que acabamos de receber por meio do curso, nós colhemos não só instrumentos, mas meios de controlar as nossas emoções e desenvolver um trabalho mais racional e lógico, aplicando o Direito e a lei de acordo com seu objetivo que é justamente fazer incidências sobre o fato social”, Edmundo Franca, assessor da presidência da AMB e presidente da Amajum.

Taluama Cabral

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