Escolha da obra foi em comemoração aos 200 anos do filósofo russo

O Clube de Leitura da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) promoveu o debate sobre “Crime e Castigo”, livro do escritor russo Fiódor Dostoiévski. Em 2021, o romancista completaria 200 anos. O evento contou com a participação do embaixador da Rússia no Brasil, Alexey Kazimirovitch Labetskiy; da professora russa Elena Vássina e do pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) sobre Direito Comparado Rússia-Brasil , desembargador Gustavo Direito.

O evento virtual da AMB tem as seguintes parcerias: Associação Paulista de Magistrados (Apamagis), a Academia Paulista de Letras (APL) e a Embaixada da Rússia no Brasil. O encontro foi mediado pelo vice-presidente Cultural e de Tecnologia da AMB, Thiago Brandão. “São presenças ilustres que muito nos honram, neste momento ímpar em que teremos a oportunidade de refletir a respeito de uma obra tão densa e excepcional sob a luz do Direito Penal", elogiou.

“Crime e Castigo” foi publicado em 1866. Trata-se de uma história que se passa em São Petesburgo, cidade portuária russa às margens do Mar Báltico. O protagonista é Raskólnikov, um estudante jovem que entra em crise financeira e num estágio de isolamento. Ele passa a refletir de forma exagerada sobre o conceito de super-homem. Com isso, entende que grandes homens, com níveis intelectuais superiores, estariam isentos de certas penalidades impostas pela lei. Neste contexto, Raslólnikov comete um crime. Ele mata Alyona Ivanovna, uma viúva agiota, conhecida por emprestar dinheiro e cobrar altíssimos juros. O rapaz considera o ato uma contribuição à sociedade. Para ele, a vítima era uma pessoa estúpida e gananciosa.

A professora Elena Vássina traz a seguinte reflexão: “será que há o direito de matar?”. Ela ressalta que os crimes são marcas garantidas em diversas obras do escritor. “Dostoiévski é um mestre na descrição. Seus personagens vivem pela intuição. Ele antecipa o surgimento da psicanálise e da psicologia, que aparecem no século XX. O escritor mergulha no inconsciente do ser humano e mostra a generosidade”, destacou a especialista.

A pesquisadora explicou que ao abordar a natureza humana, o filósofo entra em polêmica com relação às ideias positivistas no fim do século XIX. A professora fez questão de enfatizar algumas das características do autor. “Dostoiévski acha que toda pessoa é ética por natureza. É o primeiro escritor urbanista na literatura russa. Ler suas obras nos fazem humanizar, entender melhor a nós mesmos, o próximo e a sentir mais compaixão”, finalizou.

“Quando Dostoiévski escreve o “Crime e Castigo” já houve a reforma Penal russa que modificou completamente o sistema, trazendo as figuras do juiz penal”, contextualizou o debatedor e magistrado Carlos Gustavo Direito.

 

Sobre Fiódor Dostoiévski
Em 2021, celebra-se o duocentário de nascimento de Fiódor Dostoiévski (1821 -1881), considerado o “profeta da literatura russa”. Dostoiévski é um dos escritores mais conhecidos e lidos no mundo inteiro. Além de “Crime e castigo”, ficaram famosos os romances “O idiota”, “Os demônios”, “Os irmãos Karamázov”, títulos que lideram, há mais de um século, as listas de best-sellers da literatura universal.

A presidente da AMB agradeceu a disponibilidade do embaixador Alexey Kazimirovitch Labetskiy e da professora Elena Vássina em participar do debate sobre Fiódor Dostoiévski.

“Essa influência de Dostoiévski com o nosso Direito Positivo brasileiro criminal é muito aparente. Quem estuda um pouquinho consegue ver “Crime e Castigo” influenciando, inclusive, as nossas decisões judiciais. Estamos sempre abertos para novas missões, para novos estudos”, disse Renata Gil.


Daiane Garcez (Ascom)

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