Evento foi por videoconferência nesta quarta-feira

 

A obra “O Herói Discreto”, de Mario Vargas Llosa, foi o tema do 6º encontro do Clube de Leitura da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB). O jornalista, escritor e palestrante Gabriel Kwak fez uma análise a respeito do livro e apresentou um pouco da biografia do autor.

De acordo com Gabriel Kwak, Mario apresenta duas histórias que se entrelaçam. Uma se refere ao personagem Felícito Yanaqué, nascido em Piura, no norte peruano, homem de origem humilde e dono de uma transportadora. Pai de dois filhos, ele passa a sofrer ameaças e chantagens anônimas.

Paralelamente, num outro cenário – em Lima, capital daquele país, ocorre a narrativa envolvendo o viúvo Ismael Carrera. Trata-se de um quase octogenário, proprietário de uma de uma companhia de seguros, pai de gêmeos gananciosos. Os dois, além de buscar a interdição do genitor e, com isso, retirá-lo da presidência da empresa, decidem fazer de tudo para encerrar o romance do pai com uma jovem, que era empregada da família.

“O livro desmascara uma sociedade corrupta, uma sociedade da extorsão, uma sociedade da indiferença moral. É uma crítica de costumes. Nós percebemos uma similitude em relação à chantagem com alguns aspectos da sociedade brasileira. O livro também aborda a sexualidade na terceira idade”, comentou Gabriel Kwak.

O palestrante ressaltou ainda que todos os estabelecimentos citados na obra são reais nas cidades onde se passam as histórias a exemplo de hotéis, confeitarias, e restaurantes.

“O que nos prende?, indagou o palestrante. É a incerteza, o ingrediente principal do autor”, respondeu Gabriel.

Para o mediador do evento, presidente da Associação dos Magistrados da Paraíba (AMPB), Max Nunes, trata-se de uma obra completa.

“Realmente é um livro que a gente não consegue se desgrudar. É completo, retrata não só romance, traz suspense, o erótico, o cultural do Peru e da Europa. Faz referência de outros autores na obra dele. È um livro que realmente nos desperta emoção, vontade de conhecer o Peru, porque retrata a cultura e se a gente esquecer o Peru se assemelha a realidade brasileira”, afirmou.

“A linguagem dele, a narrativa é bastante simples, comum, embora a forma de exposição seja bastante interessante de como ele conta duas histórias em lugares bem distintos. É uma forma chamativa”, considerou o desembargador aposentado do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJ-MS), Jorge Frias.

O vice-presidente Cultural e de Tecnologia da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Thiago Brandão, elogiou a qualidade do debate.

“Agradeço ao professor Gabriel por entregar seu tempo, seu conhecimento, ficamos muito satisfeitos com sua abordagem. Certamente, será convidado para os próximos eventos. O Clube de Leitura é de vocês e contamos com as contribuições para que possamos aprimorar nosso projeto”, disse o magistrado.

 

Mario Vargas Llosa

Nasceu em Arequipa, no Peru, em 1936. Estudou em colégio Militar. É Bacharel em Letras e em Direito; além de doutor em Filosofia e Letras pela Universidade Complutense de Madri, summa cum laude.

Lecionou em universidades da Europa e dos Estados Unidos. Desde a década de 1960 divide residência no Peru e na Espanha. Inclusive, recebeu da coroa espanhola o título de Marquês de Vargas LIosa.

Em 1989, candidatou-se à presidência do Peru, porém foi derrotado por Alberto Fujimori. Considerado polemista.
Recebeu Prêmio Nobel de Literatura em 2010, além de outros como: Romulo Gallegos, Príncipe de Astúrias e Cervantes.

Mario Vargas Llosa é autor de mais de 30 títulos, entre romances, ensaios, peças e do gênero infantojuvenil.


Daiane Garcez (Ascom)

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