CPJ realiza reunião sobre aprimoramento da análise do cenário da recuperação de empresas

Encontro ocorreu no STJ, no gabinete do diretor do CPJ, ministro Luis Felipe Salomão
Projeto de pesquisa sobre números dos processos de insolvência no Brasil foi o foco da reunião realizada pelo Centro de Pesquisas Judiciais da AMB (CPJ). O encontro ocorreu no Superior Tribunal de Justiça (STJ), no gabinete do diretor do CPJ, ministro Luis Felipe Salomão. Participaram da reunião, além do ministro, a secretária-geral do CPJ, Patrícia Cerqueira Kertzman Szporer; o juiz auxiliar no STJ Daniel Carnio; o representante da Jive Investments Pedro Mota; o representante do BTG Pactual Otávio Carneiro; e a pesquisadora do CPJ Nathalia Vince.
Durante o encontro, os participantes falaram sobre os esforços para aprimorar a análise do cenário de recuperação de empresas no Brasil, além da importância social desse tipo de processo.
Para o ministro Luis Felipe Salomão, dentro do universo da recuperação de crédito, é preciso que haja mais pesquisas para aperfeiçoar o sistema, como o próprio CPJ já fez no estudo recente Métricas de Qualidade e Efetividade da Justiça Brasileira: um Estudo do Processo de Recuperação de Empresas, realizado em parceria com a FGV e coordenado pela professora Maria Tereza Sadek. “É preciso comparar tempo, custo, etapas e funcionalidades da recuperação e do processo de falência. Temos Campo Grande para trabalhar”, afirmou.
O juiz Daniel Carnio também falou da necessidade de mapeamento da jurisprudência após a vigência da Lei nº 14.112/20, que alterou a legislação que trata de recuperação judicial, recuperação extrajudicial e falência. “Muitos dados oficiais apresentam problemas na origem. Há uma base de dados equivocada. Por isso, falta olhar técnico sobre essa questão”, destacou.
Os representantes da Jive Investments e do BTG Pactual também relataram a necessidade de maior segurança jurídica quando se trata de recuperação de empresas.
Novas reuniões sobre o assunto devem ser realizadas pelo CPJ em 2022.
Pesquisa CPJ e FGV
Os resultados da pesquisa “Métricas de Qualidade e Efetividade da Justiça Brasileira: um Estudo do Processo de Recuperação de Empresas” foram apresentados em novembro. O estudo é resultante de trabalho conjunto entre o Centro de Pesquisas Judiciais da AMB (CPJ), o Centro de Inovação, Administração e Pesquisa do Judiciário (CIAPJ) da FGV Conhecimento, e uma rede interinstitucional de pesquisadores.
O estudo identificou, por exemplo, que os Tribunais de Justiça têm uma “tímida atuação” em relação à criação de planos de ação para incentivar a recuperação extrajudicial de empresas em dificuldade. Só três deles – os de Pernambuco, Santa Catarina e Roraima – possuem esse tipo de programa.
Além disso, os Tribunais de Justiça de São Paulo e do Rio de Janeiro concentraram quase metade de todos os processos de recuperação que foram instaurados em 2018 e 2019. Entre 2018 e 2020, houve crescimento de 43% no volume de processos da justiça de 1º grau; 77% na de 2º grau e 13% de aumento dos processos no STJ. Além disso, a pesquisa constatou um aumento de 335% das recuperações extrajudiciais de empresas no âmbito dos Tribunais de Justiça.
O tempo médio da duração dos processos de recuperação judicial e extrajudicial de empresas também aumentou. Houve crescimento, em média, de 30% de 2018 para 2020 – apesar de o número de processos, anualmente, ter sido menor.




