AMB Mulheres comemora vitórias da campanha Sinal Vermelho e elabora novos passos

Grupo planeja fazer levantamentos sobre a participação feminina no Judiciário
A diretoria da AMB Mulheres se reuniu na tarde desta quarta-feira (10) para fazer um levantamento das ações do primeiro bimestre de 2021 e debater as metas a serem traçadas este ano. As magistradas trataram da atualização da Resolução 255 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que institui a política nacional de incentivo à participação feminina no Poder Judiciário. O grupo quer levantar dados sobre quais tribunais federais e do trabalho têm um comitê de gênero e como eles trabalham. O objetivo é saber sobre a representatividade feminina e revelar assimetria na ocupação de cargos no Poder Judiciário.
A diretoria também trabalha em uma pesquisa sobre o perfil das magistradas no Brasil em parceria com o Centro de Pesquisas Judiciais (CPJ) e a Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados (Enfam).
A juíza Domitila Manssur, diretora da AMB Mulheres, lembrou das vitórias que a campanha Sinal Vermelho alcançou nos últimos tempos: virou lei no Distrito Federal, no Rio de Janeiro e no Espírito Santo. Em São Paulo, é veiculada em forma de posters e banners no Metrô. "Temos que continuar a fazer com que a campanha chegue a todos os cantos do país. Mas precisamos comemorar as nossas vitórias, como a entrega do Pacote Basta ao Congresso Nacional e a tipificação do crime de perseguição pelo Senado Federal", disse.
O grupo conversou sobre como expandir ainda mais a Sinal Vermelho e tratou da possibilidade de os supermercados e os cartórios também aderirem oficialmente ao projeto.
A magistrada Graziela Queiroga reforçou a necessidade de conscientizar a sociedade de que as pessoas que ajudam as vítimas de violência a denunciar os maus tratos não precisam, necessariamente, prestar testemunho sobre o crime. “É necessário apenas saber direcionar a vítima até a polícia”, esclareceu. "Temos visto na mídia nacional que os pedidos de socorro estão acontecendo não só em farmácias. Precisamos mostrar para o povo, que está naturalizando o sinal vermelho como pedido de ajuda, o que se pode fazer", disse Graziela.
A campanha sinal vermelho começou em junho de 2020 por causa do isolamento social instaurado para frear a covid-19. No início, as vítimas pediam socorro em redes de farmácias. No entanto, com a divulgação da campanha, as mulheres têm pedido ajuda em outros estabelecimentos, como foi o caso da jovem de 27 anos que pediu ajuda a um funcionário de um banco em Sobradinho, no Distrito Federal. Em um extrato bancário, a mulher escreveu "Você pode me ajudar? X Violência doméstica. Ele tá aí fora" e entregou ao atendente. O bancário chamou a polícia e ofereceu acolhimento. O caso ganhou repercussão nacional.
Mahila Lara
Assessoria de Comunicação da AMB




