Renata Gil ressaltou compromisso da entidade no combate à violência contra a mulher

A Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) realizou nesta terça-feira (9) o primeiro debate no aplicativo ClubHouse, a nova rede social com salas só de áudios. A presidente da entidade conversou com a jornalista Astrid Fontenelle e a deputada Soraya Santos (PL-RJ) sobre o avanço das pautas femininas no Congresso Nacional nos últimos anos e medidas para combater a violência contra as mulheres.

Astrid Fontenelle, apresentadora do programa Saia Justa do canal GNT, afirmou que países mais democráticos e plurais nos debates são aqueles que têm mais mulheres no poder. “À medida que o país for melhor para as mulheres, será também melhor para todo mundo, porque existirá mais inclusão social e pluralidade nas pautas”, disse. No entanto, a igualdade de gênero ainda não é uma realidade. De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), as mulheres ocupam cerca de 21% dos cargos ministeriais em todo o mundo – apenas três países têm 50% ou mais mulheres no parlamento e só 22 países são chefiados por uma mulher.

A presidente Renata Gil falou sobre as iniciativas da AMB para o combate à violência contra a mulher, como a campanha Sinal Vermelho, idealizada pela AMB e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), onde aquelas que sofrem violência podem pedir ajuda com um “X” desenhado na mão. A presidente também falou sobre a tipificação do feminicídio como crime autônomo e o Pacote Basta enviado ao Congresso Nacional.

A deputada Soraya Santos, uma das autoras do pacote na Câmara dos Deputados, explicou que muitas barreiras na carreira das mulheres na política são invisíveis. “E eu falo na política justamente porque é lá que a gente pode mudar as coisas”, esclareceu. A congressista afirmou que as leis são o vetor de transformação da sociedade. “Precisamos que as mulheres estejam em várias organizações e que elas lutem pelos nossos direitos. O item um da pauta feminina é a ocupação dos espaços de decisão”, afirmou.

Segundo a deputada, quanto mais mulheres no Parlamento, mais projetos que dignificam a sociedade serão pensados e executados. “Eu entendi que não bastava ser deputada do Rio de Janeiro no Congresso. Eu tinha que ser a deputada das várias mulheres que sofrem violência”, disse. De acordo com ela, o avanço da pauta feminina não é pequeno. “Até 2017, as mulheres cadeirantes do Brasil não faziam mamografia porque os mamógrafos não reduziam a altura. Fizemos com que os mamógrafos comprados com dinheiro público fossem obrigados a variar de tamanho. Isso não é pouco significativo. É inclusão social”, disse.

A deputada também lembrou da luta no Congresso para que as mulheres grávidas presas pudessem passar pelo trabalho de parto sem usar algemas e a vitória na luta contra a violência obstétrica. “O desafio é muito grande e começa quando mostramos para os partidos a importância das mulheres serem representadas na política”, concluiu.

A presidente Renata Gil lembrou que as instituições ainda têm o pensamento patriarcal porque espelham a sociedade. “É um caminhar longo, com fatos que ainda nos chocam. A sociedade está doente. Precisamos criar mecanismos e canais de atuação para que as pessoas tenham coragem de denunciar o que está errado e para que as punições sejam efetivas”, disse. A magistrada parabenizou o trabalho do parlamento brasileiro que, segundo ela, está atento para analisar textos sobre a pauta feminina.

A jornalista Astrid Fontenelle finalizou a conversa ao pedir respeito às mulheres. “Eu vejo os passos importantes dados a frente, mas eu vejo muitas pessoas puxando atrás. Precisamos debater sobre esses assuntos e energizar nossas esperanças de igualdade de gênero”, disse.


Mahila Lara

Assessoria de Comunicação da AMB

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