1 º encontro: Clube de Leitura debate “Memórias Póstumas de Brás Cubas”

Próxima reunião está prevista para 30 de junho. O Crime do Padre Amaro será o livro em análise
A Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) realizou o primeiro debate do Clube de Leitura, nesta quarta-feira (26). “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, do autor Machado de Assis foi o livro escolhido para esta edição. O jornalista e professor Joaquim Maria Botelho foi debatedor convidado da noite, que contextualizou e fez análise crítica textual do clássico.
O evento reuniu associados à AMB de todo o Brasil. O encontro foi mediado pelo secretário cultural da AMB, Keóps Vasconcelos, que apresentou o currículo de Machado de Assis, no início da reunião.
“Ele foi um grande escritor brasileiro. Poeta, dramaturgo, cronista, jornalista, contista, folhetinista, romancista e crítico literário. Nos legou uma obra com dez romances, 200 contos, dez peças teatrais, cinco coletâneas de poemas de soneto, mais de 600 crônicas. Publicou a obra Memórias Póstumas de Brás Cubas, em 1881, por meio de folhetins em capítulos na Revista Brasileira”, informou o magistrado.
Nesta obra, Machado de Assis rompe com o Romantismo, e ousa marcar o início do Realismo no Brasil – a idealização versus imperfeições da sociedade. Os defeitos do mundo burguês são o mote deste clássico da literatura brasileira. A propositura abarca as frustrações, as mesquinharias e a mediocridade humana. Aspectos que definem “Memórias Póstumas de Brás Cubas” como romance realista. O autor lançou seu olhar crítico sobre a burguesia em decadência, em dissonância com as mudanças econômicas, sociais e políticas pelas quais o Brasil enfrentava à época.
Ao analisar a referida obra, o professor e jornalista Joaquim Maria Botelho destacou a proximidade de Machado de Assis com o leitor. “Ele tem um trabalho que envolve um relacionamento direto com o leitor por 47 vezes. Ou seja, ele traz o leitor para dentro da obra para ser um julgador das próprias opiniões ou dos fatos apresentados no livro”, avaliou.
O debatedor também desmitificou a tendência generalizada de que a escritura de Machado de Assis é tristonha. “O leitor comum parece perceber mais a crítica melancólica isolada do que o riso coletivo. O cômico é inconsciente, o sujeito sozinho não ri. O riso é sempre de um grupo. Isso é muito curioso”, afirmou. O professor acrescentou ainda: “... a tendência não é totalmente infundada. Uma das frases mais famosas de Machado de Assis, neste livro, sentencia a descrença no solidarismo do homem. Ele diz – não te irrites se te pagarem mal um benefício: antes cair nas nuvens, que de um terceiro andar”, analisou o debatedor.
Embora, a frase cite que homem é egoísta, e o sofrimento é inerente à condição humana, isso evidencia um fato, considerado pelo professor como “positivo” – o indivíduo sonha com a felicidade.
“Essa crítica bem-humorada de Machado de Assis é a procura de contribuir para corrigir desvios sociais, portanto, ajudar que se alcance a igualdade e a democracia, que são a base da felicidade social”.
“Memórias Póstumas de Brás Cubas” não se prende rigorosamente ao modelo realista, desenvolvido na Europa, que exigiria a narrativa em terceira pessoa e em ordem cronológica. Machado de Assis ousou em criar um defunto autor, logo em primeira pessoa e de tempo psicológico. O romance antecipa a narrativa modernista, por seu enredo fragmentado, dividido em capítulos curtos.
Agenda do Clube de Leitura:
Confira os livros que serão debatidos pelos próximos dois meses.
- 30 de junho: O crime do Padre Amaro – Eça de Queiroz, com a debatedora, escritora portuguesa Ana Luisa Vilela. A mediação será feita pelo ex-presidente da AMB Jayme de Oliveira.
- 28 de julho: Triste Fim de Policarpo Quaresma – Lima Barreto.
Participaram do encontro representantes da Diretoria Cultural da AMB como o vice-presidente Thiago Brandão de Almeida, o secretário cultural Kéops de Vasconcelos Amaral Vieira Pires, o secretário-adjunto Lourenço Cristóvão Chemim, e a magistrada Silvia Maria Mata Machado Baccarini, membro da diretoria.
O ex-presidente da AMB Jayme de Oliveira também compareceu ao evento. Além da presidente da Apamagis, Vanessa Mateus, que é parceira do projeto, entre outras autoridades, representantes de associações filiadas à AMB.
A escritora portuguesa Ana Luisa Vilela acompanhou o debate do livro.
Jonathas Nacaratte (ASCOM)




