Clube de Leitura debate obra de Anton Tchekhov

A primeira atividade do ano contou com a participação da professora Elena Vássina
O Clube de Leitura inaugurou as atividades de 2022 com o debate da obra “O Duelo”, de Anton Tchekhov. O encontro virtual mediado pela juíza do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), Ana Maria Brugin, contou com a presença da professora Elena Vássina da Universidade de São Paulo (USP), que dissertou a respeito da obra e da biografia do autor e de demais magistrados.
Ao longo de 21 capítulos, Tchekhov reúne diversos personagens. Trata-se de um grupo aleatório de pessoas unidas apenas pelo tempo e pelo espaço. A novela se passa a beira do Mar Negro. De acordo com a professora Elena, em cada capítulo, há uma observação do mundo sob o olhar de cada uma dessas figuras, o que permite a percepção de uma variedade dos universos individuais.
“O Duelo verdadeiro acontece, a meu ver, em cada um dos personagens e o mundo, visto que a própria vida acaba sendo mais sábia e mais complexa do que qualquer uma das teorias. Isso também é muito importante”, destacou a professora.
O romance aborda a Teoria do Darwinismo Social, corrente ideológica popular à época, baseada no conceito de uma seleção natural dos seres mais aptos como condição do progresso social.
Ademais, o escritor e dramaturgo destaca o princípio da individualização, que nega qualquer tipo de generalização e considera impossível encontrar soluções iguais para pessoas diferentes.
Ao entender pela relevância de contextualizar o romance à vida do escritor, a professora Elena Vássina contou que Anton Tchekhov formou-se em Medicina. Ele iniciou os primeiros escritos na faculdade. Em 1890, era médico e um escritor e dramaturgo renomado, que criou novas estruturas literárias ao se tornar um mestre do conto curto, um gênero tido como predileto no século XX.
Além disso, ele virou referência ao introduzir na literatura da época o princípio de não julgamento ao entender que “a liberdade de interpretação de texto é um privilégio sagrado de cada leitor, um participante ativo da criação literária”, defendia Tchekhov.
A despeito de “O Duelo”, o romance foi escrito em 1891, após retornar de uma viagem à ilha Sacalina, no extremo oriente russo, onde foi conhecer a realidade de criminosos de um presídio localizado na região. Em virtude dessa experiência, passou a considerar que a vontade de corrigir a humanidade pode levar a desastres e à aplicação incondicional de conceitos como lei, castigo, criminosos, que precisam ser repensados.
Por fim, Elena Vássina ressalta uma outra particularidade que não pode ser desprezada pelo leitor: o ambiente em que se passa a história.
"Em O Duelo, todos os tormentos e problemas humanos estão correlacionados às paisagens marítimas. A história começa e termina a beira mar. O mar se torna símbolo da natureza implacável, que engloba verdade incondicional com a qual se confronta as ações, palavras e pensamentos dos personagens. Não é por acaso que a cena final é a beira mar, em que uma das personagens conclui ao olhá-lo (o mar) que ninguém é dono da verdade", finaliza.
Sobre o autor
Natural Taganrog, sul da Rússia, Anton Pávlovitch Tchekhov nasceu em 1860, numa família religiosa e patriarcal, que se mudou para Moscou, onde Tchekhov estudou e obteve o diploma de médico, em 1884. Porém, optou por exercer a profissão sem ser remunerado, passando a realizar consultas e cirurgias sem cobrar nada dos pacientes, principalmente, de camponeses.
Para ele, a Medicina era como uma esposa e a Literatura como uma amante. Anton Pávlovitch Tchekhov, morreu, em 1904, aos 44 anos de idade, vítima de tuberculose.
Daiane Garcez (Ascom)




