AMB e presidentes de associações regionais prestigiam abertura do 3º Enajun

O assessor da presidência da AMB Levine Raja Gabaglia representou o presidente da entidade, Jayme de Oliveira, durante a abertura da terceira edição do Encontro Nacional de Juízas e Juízes Negros (Enajun), realizado na noite desta quinta-feira (24) no auditório do Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF). A solenidade reuniu autoridades dos poderes Judiciário e Legislativo, além de representantes da sociedade civil. A AMB apoia o evento, que é promovido pela Associação dos Magistrados do Distrito Federal (Amagis-DF).
A mesa de abertura contou também com a presença dos presidentes da Associação dos Magistrados do Amapá (Amaap), Elayne Cantuária; da Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris), Vera Deboni; da Associação dos Magistrados Piauienses (Amapi), Thiago Brandão; da Amagis-DF, Fábio Esteves; do ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Reynaldo Fonseca, além de representantes de demais entidades da carreira e parlamentares. A vice-presidente de Direitos Humanos da AMB e presidente da Associação dos Magistrados do Estado de Tocantins (Asmeto), Julianne Marques, também prestigiou a solenidade.
O anfitrião do evento, Fábio Esteves, destacou que essa é a última edição do Enajun e no próximo ano será ampliado para o Fórum Nacional de juízes contra o racismo e toda a forma de discriminação. Em seu discurso, ele frisou que os dados ainda desapontam quanto ao número de magistrados negros em atuação no Judiciário, e citou os números divulgados pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em 2018. “Nós somos em torno de 18% entre declarados pretos e pardos. Então, ainda temos muito o que conversar”, considerou.
O presidente da Amagis-DF fez questão de agradecer a AMB e os presidentes das associações regionais que apoiam o evento. “Essas pessoas [os representantes das associações] têm que ter a consciência que elas contribuíram para que nós, homens e mulheres negros, juízes e juízas, deixássemos de ser solitários. Uma solidão não voluntária. É uma solidão perversa, de um questionamento constante sobre o que estamos fazendo ali. E essa é a solidão que vocês apoiaram para que hoje possamos dizer: Não, não estamos mais solitários”, afirmou sob forte aplauso dos presentes que lotaram o auditório.
O ministro Reynaldo Fonseca afirmou que depois de muita luta ainda tem sido difícil a inclusão dos negros na Magistratura. “Se hoje já somos 18%, já é um sintoma de que a luta vale a pena”, disse.
Após a abertura do evento, os participantes assistiram às palestras com o tema o que é discriminação, proferida pelo mestre e doutor em Direito por Harvard, Adilson José Moreira, e, em seguida, sobre tensões entre o Direito à Diferença e o Direito à Igualdade, ministrada pela sub-procuradora-geral da República, Ela Wieko. A última atividade da noite foi o coquetel de autógrafos da obra “Racismo Recreativo”, de Adilson José Moreira.
Evento
O Enajun é voltado à reflexão sobre a Magistratura brasileira e sua representatividade, tanto para os juízes negros, como para uma sociedade que ainda não encontra no Judiciário a sua projeção racial. O evento é aberto ao público e acontece até esta sexta-feira (25). Na atual edição, o Enajun celebrará os 50 anos da Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial, da Organização das Nações Unidas (ONU). Em edições anteriores, o projeto tratou da representação da população negra nos espaços de poder e o racismo estrutural.




