Magistrado gaúcho forma banda com menores infratores

A iniciativa de um juiz gaúcho tem contribuído para a recuperação de jovens e repercutido de forma muito positiva no Rio Grande do Sul. Atuando no Juizado Regional da Infância e Juventude de Passo Fundo, no norte do estado, Dalmir Franklin de Oliveira Júnior está à frente de um projeto diferenciado, que inclui a música na rotina de adolescentes infratores internados no Centro de Atendimento Socioeducativo (Case) da cidade.
“Uma das primeiras coisas que fiz ao chegar aqui foi conhecer a unidade, diagnosticar os problemas. Em uma das conversas com um dos técnicos, o Isaías, falei da ideia de fazer uma oficina de música”, conta o magistrado. A partir daí, ele próprio doou alguns instrumentos e o projeto ganhou forma com a ajuda de doações, como da Pastoral Carcerária. Com o material necessário e professores, os menores selecionados começaram a aprender música. Isso foi há seis anos.
Tecladista na adolescência, o juiz fez questão de participar ativamente e hoje integra a Banda Liberdade, junto com adolescentes infratores selecionados. São aqueles que, além de demonstrar interesse, apresentam bom comportamento.
O grupo faz apresentações e já é conhecido na região de Passo Fundo. Apesar das limitações atuais – o projeto está sem recursos de doações e, por isso, conta apenas com um professor, o percussionista Marcelo Pimentel, que dá aulas de forma voluntária - o trabalho vem sendo reconhecido e está prestes a se tornar conhecido em todo o Brasil.
“Na quinta-feira (dia 10), vamos a São Paulo gravar o programa ‘Como Será’, da Globo, com a jornalista Sandra Annenberg. E ainda pretendo aproveitar a oportunidade para, junto com o Marcelo Pimentel, apresentar o projeto à Corregedoria de São Paulo e sugerir que ele seja adotado da Fundação Casa”, revela o juiz.
Sobre os resultados no comportamento e na recuperação dos jovens infratores, Dalmir diz que a música distensiona o ambiente, torna tudo mais leve. Mas destaca outras iniciativas desenvolvidas no Case de Passo Fundo que, junto com a oficina de música, fazem toda a diferença para os adolescentes: “Temos uma rádio, com programação que os jovens fazem dentro da unidade, cursos profissionalizantes, artesanato, projetos de esportes. Com criatividade, buscamos alternativas realmente eficazes”, conclui o juiz.
Luciana Salimen




