Obra de Shakespeare dialoga com a contemporaneidade por apresentar drama fascinante ambientado em uma sociedade desequilibrada, com consequências para a saúde mental


A tragédia do príncipe da Dinamarca e sua relação com os tempos atuais foram temas do 30º encontro do Clube de Leitura da AMB.

A profundidade da peça, as inquietações do personagem e a genialidade do autor inglês: são elementos que têm deixado leitores fascinados por quase 500 anos.

A palestrante do evento foi a escritora e professora Elizabeth Cardoso, doutora em teoria literária pela USP e professora da pós-graduação da PUC-SP.

A pesquisadora expôs um panorama do teatro elisabetano, os gêneros da época, abordando a capacidade de Shakespeare em criar personagens complexos, em histórias que dissecam as contradições humanas.

“Foi um dramaturgo corajoso em tratar temas tabus com elegância, simplicidade e articulação na arte das palavras. Uma articulação tal que traduzir Shakespeare é um desafio em todos os idiomas”, disse.

Esse talento, lembra a escritora, está presente em Hamlet, uma peça que mescla poder, vingança, ambição, amor e loucura. Para Elizabeth Cardoso, uma tragédia que tem em comum com os tempos atuais uma sociedade caótica e desequilibrada, com efeitos sobre a sanidade das pessoas.

No debate de um drama que atravessa os tempos, o Desembargador Franco Cocuzza (TJSP) lembrou a atemporalidade da obra, que faz com que várias citações presentes em Hamlet estejam no inconsciente coletivo e na boca das pessoas, em frases como: “há algo de podre no reino da Dinamarca”, “ser ou não ser, eis a questão”, “conheça-te a ti mesmo”; e “há mais coisas entre o céu e a terra do que pode supor sua filosofia”.

O Clube de Leitura da AMB reúne-se mensalmente para analisar obras marcantes da literatura mundial. Para março, o Diretor Cultural da AMB, Kéops Vasconcelos, convidou os leitores a se reunirem para debater o livro “O coração é um caçador solitário”, uma obra de 1940 da escritora Carson McCullers. O encontro está marcado para o dia 27 do próximo mês, às 19h.

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