Jorge Amado, William Golding e Clarice Lispector serão os próximos autores do trimestre

O olhar saudoso para a juventude e a chegada da vida adulta fazem parte do drama vivido por Maria, personagem que narra a obra da escritora japonesa Banana Yoshimoto. Escrito em 1988, o livro rendeu à autora o prêmio Yamamoto Shūgorō e foi o escolhido para o debate de março entre os magistrados que fazem parte do Clube de Leitura da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB).

Maria sente falta da pequena cidade praiana onde cresceu e de onde saiu para iniciar nova vida em Tóquio junto dos pais. Ela sente saudade não apenas da infância em si, mas da vida litorânea, dos tios e de suas primas. Quando fica sabendo que seus tios pretendem vender a pousada onde ela e a mãe viveram a maior parte da vida, Maria aceita o convite de sua prima Tsugumi para passar um último verão com eles. Mas Tsugumi é uma pessoa difícil. Por ser deficiente, Tsugumi foi mimada e protegida até se tornar maldosa e temperamental, atormentando – com exigências e desmandos – os pais, a irmã mais velha Yoko e sua prima, Maria.

“Esse livro é importante porque ele chega após um vazio de décadas sem um grande nome feminino na literatura japonesa. Além disso, é uma jovem escrevendo para jovens, sobretudo outras mulheres”, contou a Professora de Literatura Japonesa na Universidade Federal do Paraná (UFPR), Mina Isotani, palestrante do encontro. De acordo com a especialista, quando o livro foi lançado, o Japão vivia um boom econômico, social e cultural. A quantidade de jovens era grande e havia uma crítica à vida alienada e sem valores destes. “Um texto para jovens, sobre jovens, falando sobre esses espaços que eles estão ocupando, chamando para uma reavaliação da vida como um todo, mas com muita leveza e ingenuidade”, detalhou.

“O cenário de praia, de mar, de juventude, deixa a narrativa muito leve mesmo. Gostei do livro. O final não foi o previsível. Marcou-me muito a relação da protagonista com a praia e a beleza do cenário descrito. Li bem rápido este e já busquei outro livro da autora, mas não encontrei em português. Parabéns à professora pela palestra!”, comentou o magistrado Everton Amaral, do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN). A mesma opinião teve a juíza Lívia Freitas, do Tribunal de Justiça do Amapá (TJAP): “Eu nunca tinha lido nenhuma obra de autor japonês. É um livro leve, fluido, como o mar. Chama a atenção a constante sensação de saudade”, avaliou.

Próximas obras

Durante o encontro, o Diretor Cultural da AMB, Kéops Vasconcelos, anunciou as próximas obras que entrarão em debate neste trimestre:

Dia 26/04 – Capitães da Areia – Jorge Amado;
Dia 31/05 – O Senhor das Moscas – William Golding;
Dia 28/06 – Um Aprendizado ou o Livro dos Prazeres - Clarice Lispector.

Os nomes dos palestrantes ainda serão divulgados.


Paula Andrade (Ascom/AMB)

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