Clube de Leitura analisa a obra "Poncia Vicêncio", de Conceição Evaristo

O livro relata o racismo estrutural e a violência contra a mulher
Em evento comemorativo ao mês das mulheres (março), o Clube de Leitura da AMB discutiu, nesta quarta-feira (30), a história de uma mulher negra do interior do Brasil, neta de escravos, que tenta a sorte na “cidade grande”, retratada no livro Ponciá Vicêncio. A obra é de autoria da escritora mineira Conceição Evaristo e descreve a vida de angústia e resistência da protagonista que dá nome ao livro.
A palestrante convidada foi a professora Ludmilla Lis, assessora da escritora e autora de Ponciá Vicêncio e que ministra aulas de Língua Portuguesa no CEFET/RJ. Além das explicações sobre o gênero e as características da obra, foram listados os quatro principais temas abordados.
“Além das desigualdades sociais e do sofrimento psíquico, o racismo estrutural está bem forte nessa obra, assim como a violência contra a mulher, tema que rendeu muitas discussões durante a atual pandemia da COVID-19. Vimos números alarmantes durante o período de isolamento social”, explicou a palestrante. Ludmilla Lis também acrescentou que o livro demonstra um cenário real e atual em que “os problemas sociais advém dos problemas raciais”.
Ao longo de 120 páginas, a obra descreve os caminhos, as andanças, as marcas, os sonhos e os desencantos da protagonista, uma mulher negra que desde a infância já sentia as marcas de um sistema que rejeita corpos que não atendem ao modelo social esperado pela população massivamente branca e rica. A autora traça a trajetória da personagem da infância à idade adulta, analisa afetos e desafetos e o envolvimento com pessoas próximas, como família e amigos.
“O livro ‘Ponciá Vicêncio’ mostra os dramas humanos que existem por trás dos processos judiciais”, disse o vice-presidente de Cultura e Tecnologia da AMB, Thiago Brandão.
A mediadora do debate foi a juíza Dayane Rodrigues Mendes.
Sobre a autora
Maria da Conceição Evaristo de Brito é natural de Belo Horizonte (MG), onde nasceu em 29 de novembro de 1946. Integrante de uma prole de nove filhos, teve a vida marcada por mazelas sociais como a miséria. Foi babá, faxineira e hoje é uma das figuras expoentes da Literatura contemporânea.
No currículo, carrega premiações como Prêmio Jabuti (2015 e 2019). Uma das características de Conceição Evaristo é que as protagonistas trazem histórias que estimulam a reflexão sobre desigualdades raciais no Brasil. Com isso, as obras são vistas como denúncias de problemas ligados às raças e ao gênero, ainda existentes no país.
Próximo encontro
A dramaturga, escritora, roteirista e jornalista luso-brasileira, Maria Adelaide Amaral, será a participação especial do próximo encontro do Clube de Leitura da AMB, no dia 4 de abril, às 19h. A reunião, transmitida pela plataforma Zoom, marcará a comemoração aos 100 anos da Semana de Arte Moderna de São Paulo. Para participar basta enviar e-mail para [email protected].
Ascom AMB




